Segue o link para o Texto do Prof. Durval Muniz, "Por um ensino que deforme"
http://www.mediafire.com/?jvmdhmdykzqb3tb
Após a leitura do texto faça um comentário apontando para os seguintes aspectos:
*Como o prof. Durval percebe o papel da escola e do ensino?
*O que entendemos por um ensino deformante?
PS.: Os comentários postados até 14/04 serão considerados no processo avaliativo.
PS2.: Continuem lendo o livro da Circe Bittencourt, "Saber Histórico em Sala de aula".
“Que eu me organizando posso desorganizar
ResponderExcluirQue eu desorganizando posso me organizar
Que eu me desorganizando posso me organizar”.Chico Science
Engraçado, mas quando li o texto do Durval só lembrei dessa música do Nação Zumbi. Segue a mesma lógica, muitas vezes queremos mudar os mecanismos e as ferramentas de trabalho na área da educação, quando na verdade quem tem que mudar a concepção de ensino somos nós mesmos.
Um ensino que deforme é um ensino que foge de parâmetros e de fórmulas de ensino e de aprendizagem, é também acreditar que formar não é modelar da forma que queremos, mas de fazer com que eles se auto critiquem e mudem ou não a forma de enxergar o mundo, mudar as metodologias é fácil difícil é aceitar as nossas mudanças, mas essa mudança não acontece da noite para o dia é uma mudança lenta e gradual, assim como pensar os currículos fora dos padrões, reavaliar esse currículo que ainda não dá conta da realidade e das mudanças na vida das pessoas, pois como professores de história devemos entender que além dos conteúdos ensinados temos que pensar na história protagonizada por nós, acordar para nossa realidade e entender que também somos escritores da nossa história e que a realidade escolar é outra e não quer dizer que seja inferior a outras, mas só diferente.
Enquanto acreditarmos que esse espaço escolar é só um lugar de depósitos de saberes nunca iremos acreditar nas mudanças ocorridas na própria escola e na sociedade. O ensino crítico deve ser nossa finalidade, tornar cidadãos críticos que formem seus pensamentos e que não sejam influenciados tão fáceis. Temos muito o que aprender com eles e não sabemos isso pelo simples fato dessa hierarquização de saberes culturalmente imposto na sociedade, o quanto podemos ensinar tendo a humildade de escutar e de questionar os anseios dos nossos educandos. Espero que todos busquem sentido na prática e no aprendizado da educação e cada um dê o seu real significado para que serve a história?
A informação e o conhecimento não é mais prioridade da escola, logo não temos que passar só conteúdos em nossas aulas, mas abrir para debates e discussões sobre o tema, levantar problemáticas e questionamentos, despertar o senso crítico dos alunos. Devemos também levar em consideração que as manifestações dos professores por melhores salários devem ser adicionadas por mudanças nessa forma de educar, pois só o ensino tradicional não dá conta dos anseios das crianças e da juventude e como diz Durval um salário ruim não deve ser justificativa para uma má atuação em sala de aula. Gostei muito do texto e que bom que o autor age conforme suas palavras, sua ações legitima o discurso. Conhecendo um orientando de Durval em um evento percebi o grande educador que ele aparentou ser.
Amanda Duarte Lima
Durval Muniz de Albuquerque Júnior ao se questionar o papel do ensino e da escola na sociedade pós-moderna busca historicizar essa instituição e seus objetivos no intuito de compreender o atual desprestígio desta e de sua figura central: o professor.
ResponderExcluirPara o historiador, a escola seria um local de reprodução da ordem social burguesa em ascensão, na medida em que busca "produzir sujeitos, a produzir subjetividades, a produzir corpos treinados e hábeis, a produzir formas de pensamento e de sensibilidade" em sintonia com esse grupo. Dessa forma, busca criar/modelar cidadãos aptos a uma nova forma de socialização/comportamento que se amplia e busca legitimar. Pensada para o povo, a escola buscou instruir uma elite dirigente, que conseguiria através da educação manter o status quo.
Frente ao desprestígio crescente da escola e do ensino em decorrência da entrada de vários sujeitos das mais variadas camadas sociais e ao conservadorismo de algumas instituições, Durval Muniz lança e defende a ideia de um ensino que deforme. Seria um ensino que desnaturalizasse nossa imagem de sujeito, no intuito de propor sempre novas construções e forma de ser/estar; um ensino que possa historicizar e questionar certezas e verdade, que não busque um consenso, mas que problematize as incoerências, contradições e as inconsistências do comumente aceito. Dessa forma, a escola e o ensino se transformarão em algo novo, diferente do que ela parece ser em essência: "um aparelho burocrático, um lugar de rotina, uma repartição pública e nós sabemos o quanto existe de criatividade e de investimento subjetivo numa repartição pública".
Daniel Alencar de Carvalho.
A proposta de Durval Muniz é fazer com que o professor não mais seja o centro do saber, mas que permita que o saber seja discutido e construído coletivamente. A possibilidade que se impõe é fazer do aluno um parceiro, torná-lo ativo nas discussões que almejam um processo de transformação, cujo resultado final é tornar as pessoas mais atentas e criticas ao mundo atual e daí melhorá-lo. O professor passa de um papel de contador de verdades para questionador de verdades, iniciando assim um percurso de construção de vias viáveis.
ResponderExcluirNós, enquanto estudantes nos preparando para sermos professores temos que observar que além do conteúdo aprendido, percebamos as diferentes formas de saber e interesses que estão povoando o imaginário e a realidade dos estudantes e não partamos de concepções ou preconceitos sobre a vida desses alunos, interligando-os com o meio onde vivem e fazendo-os participes do processo. A dificuldade está em aplicar na prática uma teoria bonita e bem elaborada, lutar para não ser tragado pela acomodação a qual muitos estão entregues. E já que a Amanda, num post anterior publicou um trecho de música, vou parafrasear Fernando Mendes, dizendo que “Não adianta ir a igreja, rezar e fazer tudo errado,Você quer a frente das coisas olhando de lado”. As teses têm que serem aplicados e bem aplicados, senão em vez de uma solução, teremos construído mais um caminho repetido.
Penso que a deformidade proposta por Durval Muniz é uma tentativa de solucionar não só os nós do ensino atual. As relações estabelecidas no âmbito escolar precisam de modificação, não mais por uma lógica de mercado ou para atender uma necessidade especifica de determinado segmento social ou econômico. Há de se encontrar um caminho para uma nova sociedade, onde os valores de respeito, solidariedade e dignidade humana sejam buscados e valorados de verdade. Não vejo como apartar a crise educacional da crise da sociedade.
Em seu texto Durval Muniz critica a escola como uma instituição moderna que persiste em tempos de dita pós-modernidade, instituição essa que cada vez mais vem perdendo sua credibilidade social, com a escola o status do professor também vem perdendo constantemente o seu prestígio -"Este desprestígio social do professor não se materializa, apenas, na redução progressiva de sua remuneração, em todos os níveis de ensino, mas no próprio desprestígio da profissão, na perda de status social, de valor simbólico da profissão na vida social." (JÚNIOR)- Muniz nos mostra a escola como lugar, "(...) alienado, tedioso, repetitivo, massificado, pouco criativo (...)" (JÚNIOR), o que faz reforçar a demanda dessa instituição apenas pelo status que ela pode oferecer os seus clientes, esses que acabam por buscar na escola apenas "(...) um título que lhes dê acesso ao mercado de cargos e finções no Estado, nas empresas ou nas profissões liberais (...)" (JÚNIOR).
ResponderExcluirComo Muniz eu também acredito que a escola esteja em seus momentos finais, como a conhecemos, daqui a algum tempo será necessário que a mesma passe por mudanças significativas para que possa continuar a exister tanto no que diz respeito a forma de oganização institucional quanto a forma como os próprios professores se colocam em relação a mesma.
É necessário ao professor a mudança de seu referencial, não sendo aquele quem leva conhecimentos novos, como fora pensado nos primeiros anos após a criação da escola, agora cabe a esses a readaptação em relação ao mundo em que vivemos, onde o estudante mudou a forma de ver o mundo como também as suas fontes de informação que crescem a cada momento que passa, é obrigação do proffisinal da educação estar constante mente atualizado as novidades e delas se utilizar para que sua prática de ensino não fique estacionada no tempo para que esse, consequentemente, não se trasforme em uma relíquia dentro do universo da instituição de ensino.
Hoje se faz necessário ao professor questionar as "verdades", as naturalizações, além de apenas mostrá-las, cabe a esses profissionais demonstrar como essas "verdades" são construídas, tranformando-as em acontecimentos históricos, para que essa mudança na escola aconteça se faz necessária a utilização desse questionamento sobre a própria escola e seu papel dentro da atual sociedade, e qual seu real motivo de existir em um momento "aceitadamente" pós-moderno, além de de um questionamento sobre a própria sociedade e sua real situação atual.
Lucas Alves Amaro
Durval não se prende ao conceito de pós-moderno, o que também seria interessante, mas a expor o que pensa sobre o papel da escola nesse período, pois ela existe até hoje e é muito difícil imaginar nossa vida sem essa instituição. Para o professor Surge um paradoxo: como falar em liberdade, se o que se propõe são sujeitos idênticos uns aos outros, regrados e seguindo o mesmo padrão ditado por uma minoria que entende ser a dona da verdade, única e correta, e uma maioria que não tem o direito de nada questionar? A escola em sua construção foi elitista, mas se desestruturou quando os filhos de “classe baixa” adquiriram o direito, mesmo que mínimo, de nela ingressar. E dessa maneira a escola não teve mais como dar conta de tantos comportamentos e culturas diferentes e de um desnível, como coloca Durval, entre alunos e professores. Por isso, e por ser uma criação social e histórica, onde essa função não mais responde o porquê ela ainda existe, o autor fala numa crise da escola, onde não cabe mais esse modelo de uma escola reprodutora de sujeitos de uma ordem social burguesa. E onde muitos, como é colocado no texto, opinam por uma reforma, mas Durval propõe uma reconstrução da escola.
ResponderExcluirO autor quer nos provar que a escola, que tende a obrigar os sujeitos a se manterem dentro dos padrões por ela estabelecidos, não é mais possível de existir, não com as mesmas propostas de quando surgiu. E o que vem ocorrendo com todo esse processo é uma escola cada vez menos sedutora para alunos e professores, fazendo surgir a grande dúvida de saber para que a escola existe atualmente.
Mas o autor também pensa a escola e, portanto o ensino como algo que talvez não fracassou, pelo menos não quanto a ser um prolongamento da sociedade que somos: hierarquizada, excludente, desigual etc. Assim, é uma crise da sociedade e não da instituição em si mesma.
Mas se a situação é essa que o autor nos coloca, talvez devamos atentar para o fato de que se nada for feito continuaremos com uma escola que continua com a mesma função de antes, que não serve para a sociedade que somos ou que queremos ser hoje. Não queremos ser meros reprodutores dos desígnios de outrem, mas donos de nossas próprias ações. A proposta de Durval já começa com o que todas as pessoas devem fazer especialmente historiadores, entender que nada do que existe é natural, mas uma construção histórica, algo vivido e pensado pelo homem. Assim um ensino que deforme é aquele em que o professor permite e incentiva que o aluno pense por si mesmo e não o coloca sob-regras e práticas pré-estabelecidas, enquadrando-o para ser mais um tipo de sujeito adequado aos desejos de quem quer as pessoas enquadradas em um determinado padrão. Ensinar não trazendo certezas ou verdades absolutas para o aluno, mas justamente o oposto, questionar o que é tido como certo, como algo aceito sem crítica nenhuma. O ensino não é uma máquina que faz sair de dentro pessoas idênticas e como robôs prontos para seguir um padrão estabelecido por uma “elite”. O ensino deve fornecer ferramentas para que as crianças ou alunos possam criar sua própria identidade e subjetividades.
É também um texto que nos põe diante dessa questão, de uma forma que nos faz perder um pouco o chão, na medida em que nos dá a impressão que a escola já não tem condições nenhuma de continuar existindo, mas é também uma forma de nos fazer sair de uma posição acrítica para pensar algo que envolve nossa maneira de vive.
Juliana Basílio Batista (ela não conseguiu postar)
O professor Duarval Muniz em seu texto propõe um ensino que “deforme”, uma nova forma de pensar a educação, principalmente, questionando o atual papel exercido pela escola e o lugar que o professor deve ocupar na relação com a instituição de ensino e com os alunos. Sendo a escola uma das poucas instituições modernas que ainda permanece com certo prestigio na pós-modernidade, mas mesmo assim tendo enunciada a necessidade da sua reforma. A escola como a maioria de nós conhecemos é naturalizada pela sociedade, questionam sua eficiência, mas nunca a sua existência E até esse aparente “fracasso” é questionado pelo autor, segundo ele a escola foi criada para forma cidadãos burgueses e preparados para governa o mundo, então escola cumpriria muito bem seu papel de reprodução da ordem social vigente. Mesmo porque quando os filhos das camadas populares adquirem o direito do acesso ao ensino inicia-se uma crise no sistema escolar, por ele não está preparada para o aumento da demanda. Uma “consequência” ou sintoma dessa crise seria a desvalorização da profissão docente, o professor perdeu seu status e o prestigio que tinha junto a sociedade.
ResponderExcluirDurval então coloca esse professor, que muitas vezes está desmotivado com a profissão, como peça importante nas mudanças que propõe para a escola. O professor deve questionar o próprio sistema escolar em que se formou. Incentivando o aluno a problematiza as “verdades” que lhes foram ensinadas. Não um ensino autoritário e disciplinarizante, mas sim votado para conhecer o diferente, preocupado com as singularidades e subjetividade de cada aluno e potencializado as suas habilidades, como a sua criatividade por exemplo. Então “ o ensino que deforma é aquele que aposta em formas novas, maneiras
novas de praticar as relações de aprendizagem.”
Marliene Maiara de Meneses
Durval Muniz de Albuquerque percebe o papel da escola e ensino situando a suas funções na atual configuração histórica da sociedade, compreendendo seu contínuo desprestígio social e elaborando novas perspectivas para o ensino e aprendizagem.
ResponderExcluirSegundo Durval, a escola foi uma das mais exemplares instituições que a modernidade fez surgir. Contudo, seu papel está sendo, cada vez mais, corroído por seus “próprios princípios”. Os princípios que me refiro, são as abordagens de ensino pensadas em outras temporalidades que ainda confluem significativamente para os padrões educacionais. Concepções tradicionais também marcam a disciplina histórica, principalmente se pensarmos os espaços do ensino fundamental e médio das escolas. Diante disso, vemos um local “destinado à produção de subjetividades, à produção de sujeitos, à construção e veiculação de identidades, à definição de lugares de sujeito” que toma funções de conservação e manutenção do status quo. Seja enquadrando ou excluindo os indivíduos.
A metodologia de ensino-aprendizagem proposta por Durval é a deformação do próprio ensino. A palavra deformação, a meu ver, incorpora o sentido de perspectiva construtiva educacional. Logo, uma questão se torna pertinente. Como basear a construção por meio da desconstrução? O problema é singular, tal qual a disciplina histórica. Uma das formas de pensar o método é compreender a historicidade da educação e as atribuições que lhe foram forjadas. Os sentidos, as funções e perspectivas da disciplina de história no século XIX ou no período ditatorial civil e militar no Brasil (1964-1985), só para ficar nestes dois exemplos, não condizem com a nossa atual realidade histórica. Mesmo que entendamos os processos de rupturas e permanências ao longo dos períodos, esses moldes foram pensados em seus próprios contextos, situações, problemas e ambições. Nossa atual educação e, principalmente, a disciplina histórica, nos âmbitos fundamentais e médios necessitam de uma atualização. A reformulação tem que ser pautada em questões pertinentes aos grupos sociais que compõe a sociedade brasileira e formam, ou deveriam formar, a nossa cidadania.
A (des)organização do ensino pensada por Durval, pretende elaborar uma nova conceituação de disciplina histórica. O método questionador produz conhecimento e põe em pauta “as certezas, o aceito, o já pensado, o consensual, o que se dá como inquestionável” dessa sociedade. Com isso, podemos problematizar a atuação de grupos minoritários que inseriram/inserem estrategicamente esses valores, muitas vezes naturalizados e internalizados em nossas mentalidades. Essas concepções se tornaram ao longo do tempo criadoras de hierarquias e promovedoras de desigualdade de saberes. Nesse processo de desnaturalização, o Professor tem destaque e deve assumir sua condição de sujeito histórico ativo chamando as responsabilidades que sua profissão e formação acarretam. As atividades do professor, segundo Durval, devem ser a de “auto-transformação, uma atividade diária de mutação do que considera ser sua subjetividade, sua identidade, seu Eu.
O artigo do professor Durval é interessante, pois, as considerações que tece em seu texto sobre a prática contestadora são modos de reflexão crítica sobre a historicidade dos sujeitos históricos e suas relações estabelecidas com o mundo em períodos distintos.
(Vagner Silva Ramos Filho)
O texto do professor Durval gera em vários momentos um grande desconforto, quando li sobre os licenciados, que “a tendencia é que rapidamente incorporem a cultura escolar, esqueçam os modelos moderninhos que aprenderam nas aulas de Pratica de Ensino e se conformem ás demandas e regras desta cultura escolar rotineira e que tem o pouco lugar para o professor contestador ou inovador” me perguntei sim, e agora José?
ResponderExcluirPor um lado a leitura é esclarecedora, esclarecedora de algo que nós já sabemos mas, muitas vezes, nos negamos a perceber, a escola adestra, mantem a sociedade em ordem justamente porque “dá oportunidade de educação a todos” e isso se naturalizou, como nos aponta Durval, não imaginamos uma sociedade sem escola. A escola tem formado o cidadão burguês, que reconhece o seu papel na sociedade, aceita esse papel e não reclama dele afinal foi a Santa Escola que o colocou lá. A escola especializou-se em produzir senso comum, subjetividades massificadas, ao passo que deveria formar indivíduos.
Nesse contexto onde a escola forma indivíduos socialmente conformados,o ensino que deforma é aqule que questiona a própria isntituição escola, que se coloque em questão, que questione suas certezas e não um ensino que vomite verdades inquestionaveis e consensos, o ensino que quebra a ideia de padronidade. Alem disso é preciso profanar a escola, ela não é, nem de longe, a única fonte de conhecimento que o aluno tem, e muito menos está isolada da sociedade ( a sala de pressão negativa que o professo Jailson comentou em sala) como pretendem alguns. Não podemos conceber uma escola apartada da comunidade porque ela é composta por pessoas que fazem parte da comunidade e o professor tem que perceber isso, ele tem que quebrar as barreiras que tentam tange-los, a ele e os alunos. Devemos perceber a escola como ela é, plural, “uma cultura um conjunto de concepções filosóficas, políticas, pedagógicas, éticas, economicas, jurídicas que a instituem e constituem”.
E se Durval é agressivo com a escola por um lado, por outro não só nos abre os olhos para uma séri de aspectos que conhecemos mas nunca atentamos. Mais do que isso, incomoda, e por isso deve gerar pelo menos aquele sentimento de “e agora Josè?” e nos levar a buscar mudanças, pequenas mudanças mesmo, por mais piegas que possa parecer, nesse aspecto o “trabalho de formiga” é essencial, se não mudarmos o micro, nunca sequer iremos incomodar o macro.
Carlos Marley Mateus Correia
Durval pauta seu texto numa visão negativa do sistema de ensino vigente nas sociedades atuais construído ao longo dos séculos, um ensino voltado para a formação de profissionais e a manutenção do procedimento exclusivo vigente na sociedade. Na visão do professor, ”a escola, com seu processo maquinal, trata professores e alunos como engrenagens de uma máquina que não sabem do seu produto final.”. Essa “máquina” que poda todos os conceitos de subjetividade e criatividade é vista como um instrumento necessário para a manutenção da sociedade, tendo visto que “ainda não se imagina a possibilidade de uma sociedade sem escola, da mesma forma que achamos possível vivermos sem manicômios.”.
ResponderExcluirA tentativa do professor de ruptura com o padrão de ensino, assim como o questionamento dos alunos em sala de aula, é visto como uma forma de ousadia já que ameaça um sistema construído ao longo dos séculos. Quanto a esse sistema arcaico, Durval prega uma crise da instituição escolar, já que esta tem seus propósitos sociais deturpados e por muitas vezes esquecidos por mediocrizar no espaço de quatro paredes a capacidade cognitiva dos seus alunos. Por causa dessa limitação sistémica imposta, a escola se torna uma prisão, um espaço desagradável para todos os elementos que ele compõe.
Os professores vão enxergar o seu ofício como um trabalho remunerado semelhante a qualquer outro, fazendo com que este reproduza a mesma coisa, desrespeitando a individualidade e a diferença dos alunos. Estes, por sua vez, vão ter várias de suas aspirações podadas para se adequar a um sistema uniforme, tido como formador da atual sociedade discriminatória, exclusiva e “mecanizada”.
O que se pode entender pela proposta ousada de um ensino deformante é a construção de uma sociedade inovadora que, ao contrário do que prega a escola atual quanto ao respeito, questiona sobre si e o mundo a sua volta. Não desrespeitando as ideias colocadas anteriormente, mas abre espaços para novas ideias, uma sociedade que respeita a criticidade individual e mais ativa quanto as suas ações e a busca pelo próprio conhecimento.
Durval propõe a busca de alternativas de uma escola que ao invés de limitar, formando “soldados”, deforme, desconstrua, discuta, não simplesmente aceite reproduzir a mesma coisa sempre, mas questionar sobre o que lhe é passado e ter a oportunidade de construir um conhecimento próprio. Em suma, podemos entender por deformante um ensino que lhe dá opção de escolher o que vai lhe formar, respeita a individualidade e a criatividade, dá a oportunidade de ser diferente e ainda assim compor uma educação mais justa. A escola não funciona como um espaço de formação de máquinas para abastecer o mercado, mas um local onde alunos e professores não são simples engrenagens de uma sociedade elitista, rompendo com as limitações atuais do ensino.
Davi Silva Macedo
Durval Muniz acredita que a instituição escolar não é viável à sociedade pós-moderna. Com o intuito de “tornar o homem um ser superior, sendo capaz de torná-lo um ser livre” a escola, que é marcada por valores burgueses, acaba por reproduzir a ordem, tornar-se um lugar de disciplina. Com a complexificação da sociedade, com o ingresso de “todas as camadas sociais” a escola passa a viver uma crise, o aluno indisciplinado adentra no ambiente escolar e não é aceito, devendo ser reprimido, ser adestrado. A cultura escolar é produtora de subjetividades massificadas, privilegia o aluno dócil, o aluno que não se singulariza e é por isso, problematizando a idéia de formação, que Durval propõe um ensino que deforme, que não seja monótono, uma obrigação. Defende um ensino criativo, “capaz de pensar coisas novas, de formular novos conceitos”, que estimule a sensibilidade e elabore subjetividades. Diferente do ensino tradicional, da escola que emana verdades, esse ensino deformante problematiza, desorienta, não fornece certezas, nele o aluno assume o papel central enquanto o professor assume a “função auxiliar ou coadjuvante”. O historiador pensa em um ensino que não seja uniforme, que valorize as subjetividades e não reproduza a ordem, pensa uma desordem, uma sociedade livre da escolarização.
ResponderExcluirLucas Assis de Oliveira
Um ensino deformante é proposto por Durval Muniz como uma saída da crise escolar. A escola, uma instituição de disciplina, burguesa e reprodutora da ordem é, hoje, freqüentada por camadas sociais distintas que não consegue abarcar. Lugar de disciplina, a escola foi por “muito tempo um privilégio de classe, de etnia e de gênero”, atende a interesses mercantis, é um investimento massificado que produz ordem, que aliena. Segundo Durval Junior, devido o “desencantamento da escola, o desinvestimento social, os professores e alunos ficam “desmotivados, perdidos, sem objetivos claros.” Por um ensino que deforme, Durval pensa o ensino na pós-modernidade, sugere um ensino que problematize a realidade, que produza subjetividades, que não seja “uma atividade centrada na transmissão de verdades, do que é a certeza, o aceito, o já pensado”, que gere a dúvida, o questionamento, a desnaturalização do que se diz ser natural, que seja criativo, que seja uma atividade relacional entre alunos e professores. O ensino proposto por Durval desarruma a ordem vigente, “gera a indisciplina no pensar e no agir.”
ResponderExcluir