O Combate entre o Carnaval e a Quaresma de Peter Brueghel, "o Velho", 1559.
Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/megalomaniaca/2012/02/carnaval-sem-mascaras.html#ixzz1vXmRpygS
Pesquisa (???)
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Espaço para os cometários
Pessoal,
aqui está o espaço destinado para o comentário de vocês sobre o Texto do Prof. Durval Muniz.
Abraços.
Durval Muniz de Albuquerque Júnior ao se questionar o papel do ensino e da escola na sociedade pós-moderna busca historicizar essa instituição e seus objetivos no intuito de compreender o atual desprestígio desta e de sua figura central: o professor. Para o historiador, a escola seria um local de reprodução da ordem social burguesa em ascensão, na medida em que busca "produzir sujeitos, a produzir subjetividades, a produzir corpos treinados e hábeis, a produzir formas de pensamento e de sensibilidade" em sintonia com esse grupo. Dessa forma, busca criar/modelar cidadãos aptos a uma nova forma de socialização/comportamento que se amplia e busca legitimar. Pensada para o povo, a escola buscou instruir uma elite dirigente, que conseguiria através da educação manter o status quo. Frente ao desprestígio crescente da escola e do ensino em decorrência da entrada de vários sujeitos das mais variadas camadas sociais e ao conservadorismo de algumas instituições, Durval Muniz lança e defende a ideia de um ensino que deforme. Seria um ensino que desnaturalizasse nossa imagem de sujeito, no intuito de propor sempre novas construções e forma de ser/estar; um ensino que possa historicizar e questionar certezas e verdade, que não busque um consenso, mas que problematize as incoerências, contradições e as inconsistências do comumente aceito. Dessa forma, a escola e o ensino se transformarão em algo novo, diferente do que ela parece ser em essência: "um aparelho burocrático, um lugar de rotina, uma repartição pública e nós sabemos o quanto existe de criatividade e de investimento subjetivo numa repartição pública".
Daniel.. seu comentário é bem pertinente, mas aqui onde você diz que "Seria um ensino que desnaturalizasse nossa imagem de sujeito" eu penso justamente o contrário.. acho que Durval, mostra no texto que devemos é mostrar ao aluno que somos sim sujeitos históricos que atuamos fundamentalmente na sociedade mesmo com a estrutura burguesa escolar que nos é proposta atualmente e que podemos mudar a realidade escolar com o ensino deformante que ele propõe. Tem uma citação que gosto muito, a i no livro da Maria Auxiliadora Schmidt, ela diz assim: "O professor fornece a matéria para raciocinar, ensina a raciocinar, mas, acima de tudo, ensina que é possível raciocinar". Snyders, 1995. Pra mim esse é o papel do professor... e o ensino deformante de Durval Muniz se encaixa perfeitamente nessa proposta de Professor.
Olá Carol, tudo bem? Concordo com vc que Durval propõe que mostremos para os alunos que eles são sujeitos históricos. Quando falo em desnaturalizar nossa imagem de sujeito é no sentido de, como tem no comentário, "propor sempre novas construções e formas de ser/estar", no sentido de que somos seres no tempo, que estamos também em constante mudança, que nossa identidade não é algo imóvel e fixa, que sempre podemos ser algo a mais etc. Espero que tenha esclarecido meu comentário. Obrigado pela atenção! Abraços!
A proposta de Durval Muniz é fazer com que o professor não mais seja o centro do saber, mas que permita que o saber seja discutido e construído coletivamente. A possibilidade que se impõe é fazer do aluno um parceiro, torná-lo ativo nas discussões que almejam um processo de transformação, cujo resultado final é tornar as pessoas mais atentas e criticas ao mundo atual e daí melhorá-lo. O professor passa de um papel de contador de verdades para questionador de verdades, iniciando assim um percurso de construção de vias viáveis. Nós, enquanto estudantes nos preparando para sermos professores temos que observar que além do conteúdo aprendido, percebamos as diferentes formas de saber e interesses que estão povoando o imaginário e a realidade dos estudantes e não partamos de concepções ou preconceitos sobre a vida desses alunos, interligando-os com o meio onde vivem e fazendo-os participes do processo. A dificuldade está em aplicar na prática uma teoria bonita e bem elaborada, lutar para não ser tragado pela acomodação a qual muitos estão entregues. E já que a Amanda, num post anterior publicou um trecho de música, vou parafrasear Fernando Mendes, dizendo que “Não adianta ir a igreja, rezar e fazer tudo errado,Você quer a frente das coisas olhando de lado”. As teses têm que serem aplicados e bem aplicados, senão em vez de uma solução, teremos construído mais um caminho repetido. Penso que a deformidade proposta por Durval Muniz é uma tentativa de solucionar não só os nós do ensino atual. As relações estabelecidas no âmbito escolar precisam de modificação, não mais por uma lógica de mercado ou para atender uma necessidade especifica de determinado segmento social ou econômico. Há de se encontrar um caminho para uma nova sociedade, onde os valores de respeito, solidariedade e dignidade humana sejam buscados e valorados de verdade. Não vejo como apartar a crise educacional da crise da sociedade.
Se olharmos a definição da palavra educar no dicionário, encontraremos: " Promover o desenvolvimento harmônico de sua capacidade física, intelectual e moral. Instruir-se. Adestrar.". Vendo a definição de adestrar: " Torna destro, hábil; treinar; ensinar.". Isto é a representação da educação no nosso mundo, desde da inicialização do processo civilizador nos tempos da Belle Époque, onde a educação vem como ferramenta do controle social, das mentes, dos corpos e de todo o seu regimento moral, ou seja, de um desenvolvimento harmônico das capacidades gerais para haver uma inserção no âmbito social controlado. A instituição de ensino vem como um instrumento que molda e constrói o indivíduo para viver adequadamente na sociedade civilizada. Esta escola formará a região limítrofe entre os inseridos e os excluídos da sociedade. Loucos, velhos, doentes, estes estarão fora deste processo e serão incluídos para serem excluídos. O pensar desses novos moldes tem inserido em si o pensar do lugar de cada indivíduo na socidade, o pensar de questões médicas e capitalistas onde há uma atuação clara de um “biopoder”, “este biopoder, sem a menor dúvida, foi elemento indispensável ao desenvolvimento do capitalismo, que só pode ser garantido à custa da inserção controlada dos corpos no aparelho de produção", devemos sempre compreender que o desenvolvimento da sociedade moderna está diretamente ligado a uma ascenção do capitalismo e um uso dos corpos, torná-los saudáveis e aptos socialmente para o trabalho, educar, adestrar, por arreios e rédias nos trabalhadores deste de sua educação escolar . Logo, o aluno dessas escolas são mármores brutos que são talhados, ou seja, formados. Durval Muniz traz a ideia de que para os indivíduos saim desse processo de controle, passem a ver esta educação de forma diferente, não tão prestigiada, o ensino deve ser deformante, pois deve ser o oposto do ensino que talha e fixa o aluno como o mármore das esculturas."O ensino que deforma seria aquele que investe na desconstrução do próprio ensino escolarizado, rotinizado, massificado, disciplinado, sem criatividade, monótono, o ensino profissional, o ensino obrigatório, o ensino como máquina de salvação ou de moralização. O ensino que deforma é aquele que aposta em formas novas, maneiras novas de praticar as relações de aprendizagem." Ensinar passaria a descontruir ideias e não forma-lás, neste processo o professor deixaria de ser o centro do ensino e passaria este lugar para o aluno, este que não é mais o a-luno, ser sem luz, sem ideias, este estudante formularia suas luzes e não as receberiam de forma adestrada. Em suma, a ideia é formular um novo tipo de cidadão e não mais aquela que cantava Raul Seixa: “ Exijo osso, exijo osso, sou um muleque maravilhoso.”.
O texto do professor Durval Muniz traz uma temática particular em seu corpo a qual muito me chamou a atenção. Ao falar da imagem da escola como uma instituição disciplinarizador, o autor explana a partir das reflexões de Michel de Certeau acerca das práticas marginais - digo marginais como tudo aquilo que não corresponde ao conjunto de práticas disopostas em uma certa ordenação - no espaço escolar, ou, para usar um termo certeauniano, as táticas de consumo desses grupos integrados ao espaço escolar. É interessante visualizar essa exposição, visto que, no corpo do texto, o autor trabalha também com as concepções do filósofo Michel Foucault,o qual trabalha de maneira sublime com a temática do controle dos corpos e dos discursos, os esquadrinhamento da sociedade - para falar em termos foucaultianos. Nesse sentido, Foucault mostra que a escola seria um espaço de disciplinarização e de controle. Certa medida, é interessante perceber o debate entre esses dois autores dentro do texto de Durval Muniz, uma vez que esse debate evidencia a existência de zonas de conflito dentro do espaço escolar. Esse binômio controle - delinquência é muito forte no universo em que o professor está inserido, e influencia diretamente a prática docente, pois uma das reflexões que faço em torno da problemática da docência levantada por Durval Muniz é exatamente a do espaço problemático, conflituoso e, na maioria das vezes, inóspito ao profissional, e que, cada vez mais, vem tomando contornos de algo muito difícil de se conviver, de se pensar. Ao mesmo tempo em que é complicado ao professor pensar em seu trabalho numa perspectiva de controle, de esquadrinhamento, é complexo trabalhar utilizando-se ou aproveitando-se (talvez tolerando-se) as práticas marginais, as táticas de consumo. Percebo, pela explanação de Durval e em suas entrelinhas uma problemática muito sutil e importante: como o professor pode lidar com um ensino que liberte, se prefere, por comodidade e facilidade, usar de um ensino que deforma, inibe e controla? A resposta a essa pergunta ainda não me chegou a mente.
Durval Muniz de Albuquerque Júnior faz um apanhado desde a criação da escola esclarecendo papel da mesma perante a sociedade, quais valores orientavam e orientam desde o seu surgimento. A escola, enquanto instituição moderna, tem a função de deixar aqueles que a frequentam disciplinados, tem a função de criar cidadãos dentro do padrão estabelecido pela sociedade. Aquele cidadão que não seja cheio de questionamentos, que aceite a sua condição de sujeito padronizado, trabalhador. Durval demonstra como a crise na instituição escolar se dá quando as camadas populares têm acesso ao ensino, quando estes chegam finalmente à escola. Como a escola estava voltada para os valores burgueses, ela se vê em crise com quando o “povo” chega até ela, pois os seus novos alunos estão totalmente fora dos padrões estabelecidos, não compartilham dos valores que a escola utiliza como norteador do ensino, valores estes voltados para a classe de melhor poder aquisitivo. Portanto, até a crise da escola, o seu papel seria o de criar a ordem, manter dentro dos padrões os que tinham acesso a ela. Em seguida o profº Durval propõe uma modificação radical nos padrões da escola, nos seus valores que a orientam, propõe um ensino que possibilite o questionamento, que desmonte todas as estruturas vigentes na escola. Durval desconstrói a idéia de escola como redentora ou mesmo o professor como novo messias. O róprio Durval coloque em cheque a existência desse professor nessa escola da sociedade pós-moderna. Não colocando o professor como novo redentor da sociedade, como foi um dia a escola, mas sim uma soma desses fatores. O professor como mediador, como impulsionador de ideias e questionamentos por parte dos alunos. A escola como instituição que não busque a padronização, que acredite nas particularidades, no individuo. Os alunos, como Durval defende, devem ter a autonomia na aprendizagem.
Pela leitura que fiz, creio que Durval enxerga na escola e no ensino um processo de formação de sujeitos e subjetividades, identidades, lugares sociais do sujeito. O problema em questão é como esses sujeitos estão sendo formados (a própria idéia de "formação" é problemática), que tipo de identidades estão sendo construídas, e como todo esse processo se relaciona com o jogo de poderes existente em um determinado tempo. Na crítica durvalina, a escola, entendida como instituição moderna, tem sido partícipe no processo de segregação étnica, social, cultural. Apesar de discursivamente ter sido criada para o "povo", foi efetivamente pensada para a formação de uma elite, e sendo ainda mais específico, uma elite dirigente, tornando-se assim disseminadora dos valores burgueses. Em resumo, reproduz a ordem vigente. Reproduz porque forma ao invés de deformar.
Não se deve entender a "deformação" durvalina no sentindo pejorativo do termo, de destruir ou estragar. Deformar aqui assume o sentido pós-modernista de desconstrução, de desnaturalização. Segundo analisa Durval,a idéia de formar sugere que um sujeito irá se desenvolver, melhor dizer evoluir, até o ponto em que irá adquirir um estágio final, pronto, acabado, formado. Esse ser formado é, no entanto, um ser que não promove mudança, que não promove conflito, justamente por estar acabado, por estar perfeitamente ajustado a ordem de forças. Durval defende então um ensino deformante, ou seja, um ensino que dê ferramentas ao aluno para sua auto-desconstrução, e portanto, sua auto-construção. Os sujeitos devem buscar sua deformação constante, a quebra de certezas, produzindo assim uma nova busca de conceitos, de idéias, de verdades, estas sempre temporalizadas e questionadoras da ordem que segrega, que favore uns e humilha outros. Em suma, o ser não pode se formar, porque ao se formar ele acaba. Deformar é então a chave para o aprimoramento constante.
A escola enquanto uma instituição social moderna surge para corresponder às demandas e legitimar as práticas da modernidade e que na visão do professor, estamos experimentando uma nova configuração histórica a que chamamos de pós-modernidade, e com isso, a escola e outras instituições modernas está passando por um processo de desprestígio e de crise, necessitando de uma urgente e necessária reforma. A crise experimentada pela escola não se destina apenas a instituição enquanto espaço físico, atingindo-a por completo, desde os professores e alunos até as suas políticas e filosofias. Essas mudanças estão balizadas por mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais, levando a escola a perder a sua importância e função de centralidade social. O desprestígio do professor também entra em cena e está relacionado não apenas à questão da necessidade de melhor remuneração, mas também ao próprio desprestígio da profissão, ou seja, da perda do status. A escola dentro do moldes modernos foi pensada para educar a partir dos princípios da razão, buscando explorar as potencialidades humanas, assim os homens deveriam torna-se livres, donos de si mesmos. Caberia à escola formar sujeitos treinados e aptos ao trabalho e a respeitar e aderir à ordem social burguesa estabelecida. Neste momento a família perde a sua centralidade social e é entregue à escola a educação dos filhos e dentro desse processo, a escola elitista em sua formulação, pensada para formar futuros dirigentes, passa a receber filhos das camadas populares e isso intensificará a crise, pois a escola marcada por valores burgueses se vê confrontada com alunos que possuem outra realidade social, outros valores e costumes, gerando uma difícil situação de convivência. Segundo Durval Muniz, a escola voltada a reproduzir e ensinar a ordem, se vê tomada pela desordem e isso de dar por um processo histórico que resultará na não satisfação dos anseios desses novos indivíduos “pós-modernos” e também pela perda da autoridade tradicional do professor que antes era visto como o responsável por dar forma à matéria disforme (o aluno). A formação escolar em sua dimensão conservadora que busca moldar os sujeito e que busca atender aos interesses sociais, ao invés de formar agentes críticos da realidade e descomprometidos com a ordem vigente, capazes de questionar verdades, legitima práticas e discursos de controle e impossibilita a formação de sujeitos autônomos. Partindo da crítica aos modelos de ensino empreitados pela instituição escolar que ainda segue padrões da sociedade moderna, o ensino que deforma, seria aquele que investe na desconstrução do próprio ensino, seria a negação por parte da sociedade a esses padrões homogêneos e singulares que massificam, passando a propor problematizações e reflexões ao invés da simples aderência das políticas de ensino, utilizando novas formas de viver e de praticar a aprendizagem, buscando romper com a obrigatoriedade, com as relações hierárquicas entre professor e aluno. O ensino que deforma investe na desconstrução dos paradigmas do ensino, no questionamento das subjetividades e das identidades que muitas vezes são vistas como naturais e não como algo pensado e construído para atingir determinados interesses. Ensino voltado a problematizar as relações sociais e as relações de si para consigo mesmo, que instaura a rebeldia, a contestação e o impasse. Nessa proposta de ensino o professor repensaria o seu papel, pois o aluno assume agora a responsabilidade do seu próprio processo de aprendizagem, uma vez que o aluno dispõe de uma série de mecanismos de informações e conhecimentos, passando a não depender tanto da escola. Com isso, o professor deve atualizar-se, buscar inserir-se nesses novos meios de informações e de conhecimentos para que ele não se torne algo obsoleto. E em meio a essas transformações, nós professores devemos pensar que não perdemos o nosso papel na trama social, mas sim que o re-significamos a partir das novas experiências em dialogo com um novo contexto social que demanda novas posturas. Adeliana Alves Barros
Como o Rodrigo Não tem conta no gmail, vou postar o comentário dele..
De forma um tanto quanto fatalistao professor Durval ver a escola como um centro de massificação e produção de subjetividades serializadas, tendo esse proposito para todas as camadas social . A escola é elitista em sua essência ela não é e não esta preparada pra suportar membros de classes que não forem da elite, isso se dar não apenas pela natureza da escola ou pela “cultura escolar”, mas porque esses alunos “diferentes” carregam traços de comportamento, mentalidade e costumes incompatíveis com a natureza da escola. Tonando a convivência na escolar insuportável. A escola, ao contrário do que muito se fala, não é uma ilha, o que se passa na sociedade, o que é a sociedade reverbera no espaço escolar. Desigual como é a sociedade, assim é a escola. As relações que se estabelecem na diferença de classes, sendo que isso também vale para as escolas particulares onde, teoricamente, os alunos são de classeshomogêneas; nesses casos, segundo o autor o desprestigio está no tratamento com as camadas populares e dos que nela tem origem. A escolar sofreu um processo de “capitalização”, com a burocratização do Estado a escola e seu ensino perdem o papel de formar um ser humano intelectualmente aprimorado e pronto, visão bem romântica, e ganha um papel de formadora da massa de trabalhadores, adequando-se as necessidades do capitalismo. “A formação escolar mostra assim, de saída, sua dimensão conservadora. Formar-se seria incorporar os valores da ordem burguesa que se torna vitoriosa.” Procurando combater essa formação é que Durval lança a proposta de ensino que deforma. No lugar de aceitar, e premiar, um aluno que segue as regras de forma a não causar bagunças, o ensino que deforma sugere incentivar o aluno que questiona as ordens e o que é apresentado. Tornar o natural não tão natural como dizem que é. Nesse ambiente a própria relação de professor e aluno deve ser questionada, ao ponto que, segundo o autor, o professor e a escolar possam não existir mais. No final o que parece mais interessar para o professor Durval é que a “massa de manobra” pare de ser criada, que uma autocrítica social seja desenvolvida, as desigualdades que no capitalismo sejam vistas como natural não sejam tão naturais assim. Rodrigo Ferreira de Castro.
O professor Durval, faz uma crítica pesada e violenta, ao modelo institucional de ensino, que historicamente tem se aplicado no Brasil. A escola "falida" na perspectiva de forma de ensino seria uma consequência históricas das classes dirigentes, que não estão interessadas num ensino que forme cidadãos verdadeiramente críticos, questionadores, intrigados, motivados politicamente, produtores de ideias, sensíveis e inquietos com a ordem social brasileira. Ao contrário, parece-me estarem satisfeitos com a situação deste ensino deformante, pois estamos produzindo seres robotizados, engessados, totalmente alheios a problematização de tal questão, a escola que teoricamente é o local onde iniciaria essa discussão, está sendo apenas uma reprodução desse sistema. Sistema este que parece-me uma grande teia de aranha onde todos os fios estão intimamente ligados uns aos outros, formando um enorme sistema que gira formando um circulo, ora, pois como diz o professor Durval: Os pais esperam que as escolas eduquem seus filhos, tirando de seus ombros tal responsabilidade, as escolas na pessoa do professor diz que educação vem de berço, em meio a isso um governo formado pelas elites pouco interessado em resolver esse problema. Assim entendo esse ensino deformante, gerador de pessoas extremamente individualistas, porém, posso ate estar sendo muito otimista, mas acredito no papel da escola e do professor, como a melhor forma de tornar um Brasil mais justo.
A escola desde sua idealização como uma instituição moderna, desempenhou a função de disciplinar e construir cidadãos nos moldes da vida em sociedade, com os objetivos de manutenção da moral, dos valores e da condição burguesa. A instituição assim moldada e idealizada como um instrumento de investimento para o futuro e para a liberdade, na prática ela é encarada como uma ponte para habilitar mão de obra e dar acesso ao mercado de trabalho, não colocando como primordial a aquisição de saberes e habilidades. Não conseguindo atender as demandas requeridas pela sociedade e exercendo um papel excludente, utópico e controlador. A escola passa a perder seu status de importância na pós-modernidade que anuncia sua crise e exige urgentes e necessárias reformas. Como a escola propõe a formação de cidadãos críticos, atuantes e conscientes, se toda sua aparelhagem, estrutura e concepção ideológica é constituída de mecanismos de controle, punição e hierarquia? A escola prima por construir sujeitos treinados e adequados à ordem social burguesa e acaba não sendo capaz de cumprir todas as suas propostas passando a ser questionada quanto a sua utilidade. Qual o papel do professor nesse processo? Durval propõe uma nova forma de encarar o ensino, este passando a ser uma troca de aprendizagem, questionador, crítico de valores, de instituições, da sociedade, inclusive da própria escola. Um ensino DEFORMADOR, que desnaturaliza e põe em questão a ordem vigente. Tornar prática discussões desenvolvidas no âmbito acadêmico que ainda não passam de reflexões teóricas. Como tornar isso possível na atual estrutura que se insere a escola? A falência da instituição escolar aponta possibilidades e desafios para nós professores e para os demais envolvidos, a sociedade. Se a ruína reformará o ensino ou extinguirá a cultura escolar como instrumento disciplinador, não saberemos se não houver atitude, questionamentos e mudanças.
TESTE
ResponderExcluirDurval Muniz de Albuquerque Júnior ao se questionar o papel do ensino e da escola na sociedade pós-moderna busca historicizar essa instituição e seus objetivos no intuito de compreender o atual desprestígio desta e de sua figura central: o professor.
ResponderExcluirPara o historiador, a escola seria um local de reprodução da ordem social burguesa em ascensão, na medida em que busca "produzir sujeitos, a produzir subjetividades, a produzir corpos treinados e hábeis, a produzir formas de pensamento e de sensibilidade" em sintonia com esse grupo. Dessa forma, busca criar/modelar cidadãos aptos a uma nova forma de socialização/comportamento que se amplia e busca legitimar. Pensada para o povo, a escola buscou instruir uma elite dirigente, que conseguiria através da educação manter o status quo.
Frente ao desprestígio crescente da escola e do ensino em decorrência da entrada de vários sujeitos das mais variadas camadas sociais e ao conservadorismo de algumas instituições, Durval Muniz lança e defende a ideia de um ensino que deforme. Seria um ensino que desnaturalizasse nossa imagem de sujeito, no intuito de propor sempre novas construções e forma de ser/estar; um ensino que possa historicizar e questionar certezas e verdade, que não busque um consenso, mas que problematize as incoerências, contradições e as inconsistências do comumente aceito. Dessa forma, a escola e o ensino se transformarão em algo novo, diferente do que ela parece ser em essência: "um aparelho burocrático, um lugar de rotina, uma repartição pública e nós sabemos o quanto existe de criatividade e de investimento subjetivo numa repartição pública".
Daniel Alencar de Carvalho.
Daniel.. seu comentário é bem pertinente, mas aqui onde você diz que "Seria um ensino que desnaturalizasse nossa imagem de sujeito" eu penso justamente o contrário.. acho que Durval, mostra no texto que devemos é mostrar ao aluno que somos sim sujeitos históricos que atuamos fundamentalmente na sociedade mesmo com a estrutura burguesa escolar que nos é proposta atualmente e que podemos mudar a realidade escolar com o ensino deformante que ele propõe.
ExcluirTem uma citação que gosto muito, a i no livro da Maria Auxiliadora Schmidt, ela diz assim:
"O professor fornece a matéria para raciocinar, ensina a raciocinar, mas, acima de tudo, ensina que é possível raciocinar". Snyders, 1995.
Pra mim esse é o papel do professor... e o ensino deformante de Durval Muniz se encaixa perfeitamente nessa proposta de Professor.
Olá Carol, tudo bem? Concordo com vc que Durval propõe que mostremos para os alunos que eles são sujeitos históricos. Quando falo em desnaturalizar nossa imagem de sujeito é no sentido de, como tem no comentário, "propor sempre novas construções e formas de ser/estar", no sentido de que somos seres no tempo, que estamos também em constante mudança, que nossa identidade não é algo imóvel e fixa, que sempre podemos ser algo a mais etc. Espero que tenha esclarecido meu comentário. Obrigado pela atenção! Abraços!
ExcluirA proposta de Durval Muniz é fazer com que o professor não mais seja o centro do saber, mas que permita que o saber seja discutido e construído coletivamente. A possibilidade que se impõe é fazer do aluno um parceiro, torná-lo ativo nas discussões que almejam um processo de transformação, cujo resultado final é tornar as pessoas mais atentas e criticas ao mundo atual e daí melhorá-lo. O professor passa de um papel de contador de verdades para questionador de verdades, iniciando assim um percurso de construção de vias viáveis.
ResponderExcluirNós, enquanto estudantes nos preparando para sermos professores temos que observar que além do conteúdo aprendido, percebamos as diferentes formas de saber e interesses que estão povoando o imaginário e a realidade dos estudantes e não partamos de concepções ou preconceitos sobre a vida desses alunos, interligando-os com o meio onde vivem e fazendo-os participes do processo. A dificuldade está em aplicar na prática uma teoria bonita e bem elaborada, lutar para não ser tragado pela acomodação a qual muitos estão entregues. E já que a Amanda, num post anterior publicou um trecho de música, vou parafrasear Fernando Mendes, dizendo que “Não adianta ir a igreja, rezar e fazer tudo errado,Você quer a frente das coisas olhando de lado”. As teses têm que serem aplicados e bem aplicados, senão em vez de uma solução, teremos construído mais um caminho repetido.
Penso que a deformidade proposta por Durval Muniz é uma tentativa de solucionar não só os nós do ensino atual. As relações estabelecidas no âmbito escolar precisam de modificação, não mais por uma lógica de mercado ou para atender uma necessidade especifica de determinado segmento social ou econômico. Há de se encontrar um caminho para uma nova sociedade, onde os valores de respeito, solidariedade e dignidade humana sejam buscados e valorados de verdade. Não vejo como apartar a crise educacional da crise da sociedade.
Paulo Eduardo Martins de Lima
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirSe olharmos a definição da palavra educar no dicionário, encontraremos: " Promover o desenvolvimento harmônico de sua capacidade física, intelectual e moral. Instruir-se. Adestrar.". Vendo a definição de adestrar: " Torna destro, hábil; treinar; ensinar.". Isto é a representação da educação no nosso mundo, desde da inicialização do processo civilizador nos tempos da Belle Époque, onde a educação vem como ferramenta do controle social, das mentes, dos corpos e de todo o seu regimento moral, ou seja, de um desenvolvimento harmônico das capacidades gerais para haver uma inserção no âmbito social controlado. A instituição de ensino vem como um instrumento que molda e constrói o indivíduo para viver adequadamente na sociedade civilizada. Esta escola formará a região limítrofe entre os inseridos e os excluídos da sociedade. Loucos, velhos, doentes, estes estarão fora deste processo e serão incluídos para serem excluídos. O pensar desses novos moldes tem inserido em si o pensar do lugar de cada indivíduo na socidade, o pensar de questões médicas e capitalistas onde há uma atuação clara de um “biopoder”, “este biopoder, sem a menor dúvida, foi elemento indispensável ao desenvolvimento do capitalismo, que só pode ser garantido à custa da inserção controlada dos corpos no aparelho de produção", devemos sempre compreender que o desenvolvimento da sociedade moderna está diretamente ligado a uma ascenção do capitalismo e um uso dos corpos, torná-los saudáveis e aptos socialmente para o trabalho, educar, adestrar, por arreios e rédias nos trabalhadores deste de sua educação escolar . Logo, o aluno dessas escolas são mármores brutos que são talhados, ou seja, formados. Durval Muniz traz a ideia de que para os indivíduos saim desse processo de controle, passem a ver esta educação de forma diferente, não tão prestigiada, o ensino deve ser deformante, pois deve ser o oposto do ensino que talha e fixa o aluno como o mármore das esculturas."O ensino que deforma seria aquele que investe na desconstrução do próprio ensino escolarizado, rotinizado, massificado, disciplinado, sem criatividade, monótono, o ensino profissional, o ensino obrigatório, o ensino como máquina de salvação ou de moralização. O ensino que deforma é aquele que aposta em formas novas, maneiras novas de praticar as relações de aprendizagem." Ensinar passaria a descontruir ideias e não forma-lás, neste processo o professor deixaria de ser o centro do ensino e passaria este lugar para o aluno, este que não é mais o a-luno, ser sem luz, sem ideias, este estudante formularia suas luzes e não as receberiam de forma adestrada. Em suma, a ideia é formular um novo tipo de cidadão e não mais aquela que cantava Raul Seixa: “ Exijo osso, exijo osso, sou um muleque maravilhoso.”.
ResponderExcluirJosé Lucas Cordeiro Fernandes
Raul Seixas, não Raul Seixa.
ResponderExcluirO texto do professor Durval Muniz traz uma temática particular em seu corpo a qual muito me chamou a atenção. Ao falar da imagem da escola como uma instituição disciplinarizador, o autor explana a partir das reflexões de Michel de Certeau acerca das práticas marginais - digo marginais como tudo aquilo que não corresponde ao conjunto de práticas disopostas em uma certa ordenação - no espaço escolar, ou, para usar um termo certeauniano, as táticas de consumo desses grupos integrados ao espaço escolar.
ResponderExcluirÉ interessante visualizar essa exposição, visto que, no corpo do texto, o autor trabalha também com as concepções do filósofo Michel Foucault,o qual trabalha de maneira sublime com a temática do controle dos corpos e dos discursos, os esquadrinhamento da sociedade - para falar em termos foucaultianos. Nesse sentido, Foucault mostra que a escola seria um espaço de disciplinarização e de controle.
Certa medida, é interessante perceber o debate entre esses dois autores dentro do texto de Durval Muniz, uma vez que esse debate evidencia a existência de zonas de conflito dentro do espaço escolar. Esse binômio controle - delinquência é muito forte no universo em que o professor está inserido, e influencia diretamente a prática docente, pois uma das reflexões que faço em torno da problemática da docência levantada por Durval Muniz é exatamente a do espaço problemático, conflituoso e, na maioria das vezes, inóspito ao profissional, e que, cada vez mais, vem tomando contornos de algo muito difícil de se conviver, de se pensar.
Ao mesmo tempo em que é complicado ao professor pensar em seu trabalho numa perspectiva de controle, de esquadrinhamento, é complexo trabalhar utilizando-se ou aproveitando-se (talvez tolerando-se) as práticas marginais, as táticas de consumo.
Percebo, pela explanação de Durval e em suas entrelinhas uma problemática muito sutil e importante: como o professor pode lidar com um ensino que liberte, se prefere, por comodidade e facilidade, usar de um ensino que deforma, inibe e controla? A resposta a essa pergunta ainda não me chegou a mente.
Durval Muniz de Albuquerque Júnior faz um apanhado desde a criação da escola esclarecendo papel da mesma perante a sociedade, quais valores orientavam e orientam desde o seu surgimento. A escola, enquanto instituição moderna, tem a função de deixar aqueles que a frequentam disciplinados, tem a função de criar cidadãos dentro do padrão estabelecido pela sociedade. Aquele cidadão que não seja cheio de questionamentos, que aceite a sua condição de sujeito padronizado, trabalhador. Durval demonstra como a crise na instituição escolar se dá quando as camadas populares têm acesso ao ensino, quando estes chegam finalmente à escola. Como a escola estava voltada para os valores burgueses, ela se vê em crise com quando o “povo” chega até ela, pois os seus novos alunos estão totalmente fora dos padrões estabelecidos, não compartilham dos valores que a escola utiliza como norteador do ensino, valores estes voltados para a classe de melhor poder aquisitivo. Portanto, até a crise da escola, o seu papel seria o de criar a ordem, manter dentro dos padrões os que tinham acesso a ela.
ResponderExcluirEm seguida o profº Durval propõe uma modificação radical nos padrões da escola, nos seus valores que a orientam, propõe um ensino que possibilite o questionamento, que desmonte todas as estruturas vigentes na escola. Durval desconstrói a idéia de escola como redentora ou mesmo o professor como novo messias. O róprio Durval coloque em cheque a existência desse professor nessa escola da sociedade pós-moderna. Não colocando o professor como novo redentor da sociedade, como foi um dia a escola, mas sim uma soma desses fatores. O professor como mediador, como impulsionador de ideias e questionamentos por parte dos alunos. A escola como instituição que não busque a padronização, que acredite nas particularidades, no individuo. Os alunos, como Durval defende, devem ter a autonomia na aprendizagem.
Pela leitura que fiz, creio que Durval enxerga na escola e no ensino um processo de formação de sujeitos e subjetividades, identidades, lugares sociais do sujeito. O problema em questão é como esses sujeitos estão sendo formados (a própria idéia de "formação" é problemática), que tipo de identidades estão sendo construídas, e como todo esse processo se relaciona com o jogo de poderes existente em um determinado tempo. Na crítica durvalina, a escola, entendida como instituição moderna, tem sido partícipe no processo de segregação étnica, social, cultural. Apesar de discursivamente ter sido criada para o "povo", foi efetivamente pensada para a formação de uma elite, e sendo ainda mais específico, uma elite dirigente, tornando-se assim disseminadora dos valores burgueses. Em resumo, reproduz a ordem vigente. Reproduz porque forma ao invés de deformar.
ResponderExcluirNão se deve entender a "deformação" durvalina no sentindo pejorativo do termo, de destruir ou estragar. Deformar aqui assume o sentido pós-modernista de desconstrução, de desnaturalização. Segundo analisa Durval,a idéia de formar sugere que um sujeito irá se desenvolver, melhor dizer evoluir, até o ponto em que irá adquirir um estágio final, pronto, acabado, formado. Esse ser formado é, no entanto, um ser que não promove mudança, que não promove conflito, justamente por estar acabado, por estar perfeitamente ajustado a ordem de forças. Durval defende então um ensino deformante, ou seja, um ensino que dê ferramentas ao aluno para sua auto-desconstrução, e portanto, sua auto-construção. Os sujeitos devem buscar sua deformação constante, a quebra de certezas, produzindo assim uma nova busca de conceitos, de idéias, de verdades, estas sempre temporalizadas e questionadoras da ordem que segrega, que favore uns e humilha outros. Em suma, o ser não pode se formar, porque ao se formar ele acaba. Deformar é então a chave para o aprimoramento constante.
A escola enquanto uma instituição social moderna surge para corresponder às demandas e legitimar as práticas da modernidade e que na visão do professor, estamos experimentando uma nova configuração histórica a que chamamos de pós-modernidade, e com isso, a escola e outras instituições modernas está passando por um processo de desprestígio e de crise, necessitando de uma urgente e necessária reforma. A crise experimentada pela escola não se destina apenas a instituição enquanto espaço físico, atingindo-a por completo, desde os professores e alunos até as suas políticas e filosofias. Essas mudanças estão balizadas por mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais, levando a escola a perder a sua importância e função de centralidade social. O desprestígio do professor também entra em cena e está relacionado não apenas à questão da necessidade de melhor remuneração, mas também ao próprio desprestígio da profissão, ou seja, da perda do status. A escola dentro do moldes modernos foi pensada para educar a partir dos princípios da razão, buscando explorar as potencialidades humanas, assim os homens deveriam torna-se livres, donos de si mesmos. Caberia à escola formar sujeitos treinados e aptos ao trabalho e a respeitar e aderir à ordem social burguesa estabelecida. Neste momento a família perde a sua centralidade social e é entregue à escola a educação dos filhos e dentro desse processo, a escola elitista em sua formulação, pensada para formar futuros dirigentes, passa a receber filhos das camadas populares e isso intensificará a crise, pois a escola marcada por valores burgueses se vê confrontada com alunos que possuem outra realidade social, outros valores e costumes, gerando uma difícil situação de convivência. Segundo Durval Muniz, a escola voltada a reproduzir e ensinar a ordem, se vê tomada pela desordem e isso de dar por um processo histórico que resultará na não satisfação dos anseios desses novos indivíduos “pós-modernos” e também pela perda da autoridade tradicional do professor que antes era visto como o responsável por dar forma à matéria disforme (o aluno). A formação escolar em sua dimensão conservadora que busca moldar os sujeito e que busca atender aos interesses sociais, ao invés de formar agentes críticos da realidade e descomprometidos com a ordem vigente, capazes de questionar verdades, legitima práticas e discursos de controle e impossibilita a formação de sujeitos autônomos. Partindo da crítica aos modelos de ensino empreitados pela instituição escolar que ainda segue padrões da sociedade moderna, o ensino que deforma, seria aquele que investe na desconstrução do próprio ensino, seria a negação por parte da sociedade a esses padrões homogêneos e singulares que massificam, passando a propor problematizações e reflexões ao invés da simples aderência das políticas de ensino, utilizando novas formas de viver e de praticar a aprendizagem, buscando romper com a obrigatoriedade, com as relações hierárquicas entre professor e aluno. O ensino que deforma investe na desconstrução dos paradigmas do ensino, no questionamento das subjetividades e das identidades que muitas vezes são vistas como naturais e não como algo pensado e construído para atingir determinados interesses. Ensino voltado a problematizar as relações sociais e as relações de si para consigo mesmo, que instaura a rebeldia, a contestação e o impasse. Nessa proposta de ensino o professor repensaria o seu papel, pois o aluno assume agora a responsabilidade do seu próprio processo de aprendizagem, uma vez que o aluno dispõe de uma série de mecanismos de informações e conhecimentos, passando a não depender tanto da escola. Com isso, o professor deve atualizar-se, buscar inserir-se nesses novos meios de informações e de conhecimentos para que ele não se torne algo obsoleto. E em meio a essas transformações, nós professores devemos pensar que não perdemos o nosso papel na trama social, mas sim que o re-significamos a partir das novas experiências em dialogo com um novo contexto social que demanda novas posturas. Adeliana Alves Barros
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirComo o Rodrigo Não tem conta no gmail, vou postar o comentário dele..
ResponderExcluirDe forma um tanto quanto fatalistao professor Durval ver a escola como um centro de massificação e produção de subjetividades serializadas, tendo esse proposito para todas as camadas social . A escola é elitista em sua essência ela não é e não esta preparada pra suportar membros de classes que não forem da elite, isso se dar não apenas pela natureza da escola ou pela “cultura escolar”, mas porque esses alunos “diferentes” carregam traços de comportamento, mentalidade e costumes incompatíveis com a natureza da escola. Tonando a convivência na escolar insuportável.
A escola, ao contrário do que muito se fala, não é uma ilha, o que se passa na sociedade, o que é a sociedade reverbera no espaço escolar. Desigual como é a sociedade, assim é a escola. As relações que se estabelecem na diferença de classes, sendo que isso também vale para as escolas particulares onde, teoricamente, os alunos são de classeshomogêneas; nesses casos, segundo o autor o desprestigio está no tratamento com as camadas populares e dos que nela tem origem.
A escolar sofreu um processo de “capitalização”, com a burocratização do Estado a escola e seu ensino perdem o papel de formar um ser humano intelectualmente aprimorado e pronto, visão bem romântica, e ganha um papel de formadora da massa de trabalhadores, adequando-se as necessidades do capitalismo. “A formação escolar mostra assim, de saída, sua dimensão conservadora. Formar-se seria incorporar os valores da ordem burguesa que se torna vitoriosa.”
Procurando combater essa formação é que Durval lança a proposta de ensino que deforma. No lugar de aceitar, e premiar, um aluno que segue as regras de forma a não causar bagunças, o ensino que deforma sugere incentivar o aluno que questiona as ordens e o que é apresentado. Tornar o natural não tão natural como dizem que é. Nesse ambiente a própria relação de professor e aluno deve ser questionada, ao ponto que, segundo o autor, o professor e a escolar possam não existir mais.
No final o que parece mais interessar para o professor Durval é que a “massa de manobra” pare de ser criada, que uma autocrítica social seja desenvolvida, as desigualdades que no capitalismo sejam vistas como natural não sejam tão naturais assim.
Rodrigo Ferreira de Castro.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirNome: Raphael Nobre de Souza
ExcluirO professor Durval, faz uma crítica pesada e violenta, ao modelo institucional de ensino, que historicamente tem se aplicado no Brasil. A escola "falida" na perspectiva de forma de ensino seria uma consequência históricas das classes dirigentes, que não estão interessadas num ensino que forme cidadãos verdadeiramente críticos, questionadores, intrigados, motivados politicamente, produtores de ideias, sensíveis e inquietos com a ordem social brasileira. Ao contrário, parece-me estarem satisfeitos com a situação deste ensino deformante, pois estamos produzindo seres robotizados, engessados, totalmente alheios a problematização de tal questão, a escola que teoricamente é o local onde iniciaria essa discussão, está sendo apenas uma reprodução desse sistema. Sistema este que parece-me uma grande teia de aranha onde todos os fios estão intimamente ligados uns aos outros, formando um enorme sistema que gira formando um circulo, ora, pois como diz o professor Durval: Os pais esperam que as escolas eduquem seus filhos, tirando de seus ombros tal responsabilidade, as escolas na pessoa do professor diz que educação vem de berço, em meio a isso um governo formado pelas elites pouco interessado em resolver esse problema.
Assim entendo esse ensino deformante, gerador de pessoas extremamente individualistas, porém, posso ate estar sendo muito otimista, mas acredito no papel da escola e do professor, como a melhor forma de tornar um Brasil mais justo.
A escola desde sua idealização como uma instituição moderna, desempenhou a função de disciplinar e construir cidadãos nos moldes da vida em sociedade, com os objetivos de manutenção da moral, dos valores e da condição burguesa. A instituição assim moldada e idealizada como um instrumento de investimento para o futuro e para a liberdade, na prática ela é encarada como uma ponte para habilitar mão de obra e dar acesso ao mercado de trabalho, não colocando como primordial a aquisição de saberes e habilidades.
ResponderExcluirNão conseguindo atender as demandas requeridas pela sociedade e exercendo um papel excludente, utópico e controlador. A escola passa a perder seu status de importância na pós-modernidade que anuncia sua crise e exige urgentes e necessárias reformas.
Como a escola propõe a formação de cidadãos críticos, atuantes e conscientes, se toda sua aparelhagem, estrutura e concepção ideológica é constituída de mecanismos de controle, punição e hierarquia? A escola prima por construir sujeitos treinados e adequados à ordem social burguesa e acaba não sendo capaz de cumprir todas as suas propostas passando a ser questionada quanto a sua utilidade.
Qual o papel do professor nesse processo? Durval propõe uma nova forma de encarar o ensino, este passando a ser uma troca de aprendizagem, questionador, crítico de valores, de instituições, da sociedade, inclusive da própria escola. Um ensino DEFORMADOR, que desnaturaliza e põe em questão a ordem vigente.
Tornar prática discussões desenvolvidas no âmbito acadêmico que ainda não passam de reflexões teóricas. Como tornar isso possível na atual estrutura que se insere a escola? A falência da instituição escolar aponta possibilidades e desafios para nós professores e para os demais envolvidos, a sociedade. Se a ruína reformará o ensino ou extinguirá a cultura escolar como instrumento disciplinador, não saberemos se não houver atitude, questionamentos e mudanças.